September 23, 2020

*Artigo de Edson Pinto

Viagens e Turismo representam uma dimensão econômica que compreende 26 tipos diferentes de turismo e é composto por 52 segmentos econômicos, sendo a Hospedagem e a Alimentação os mais representativos. No total, o impacto do turismo gera uma participação de US$ 9 trilhões no PIB mundial, ou seja, 10% do PIB mundial, sendo 8% do PIB Nacional e 10% do PIB do Estado de São Paulo.

O setor é responsável por 320 milhões de empregos no mundo, tornando-se protagonista da abertura de um em cada 10 postos de trabalho. No Brasil, empregava 6,9 milhões de pessoas, antes da pandemia. Hoje, não existem dados precisos, mas calcula-se, caso haja retomada da atividade nos próximos dias, que mais de 1 milhão de trabalhadores do setor sejam demitidos e 30% a 40% das empresas encerrarão suas atividades.

O mercado de Viagens e Turismo é talvez o mais afetado do mundo, pois a COVID-19 impacta diretamente sua dinâmica econômica e as consequências disso são ainda mais danosas tendo em vista que, além de ser uma atividade fortemente geradora de emprego, também impacta dramaticamente na cadeia produtiva em que está inserido, como a indústria de alimentos, o agronegócio e logística de transportes.

Segundo a Organização Mundial do Turismo, 95% dos países anunciaram algum tipo de restrição às viagens. Isso sugere que a maioria dos viajantes deverá aguardar algum tempo antes de retomá-las, especialmente para destinos mais distantes. Pesquisas mostram que haverá uma preferência por viagens nacionais e, nesse sentido, o quesito “confiança” é fundamental, cabendo ao trade transmitir com clareza aos consumidores qual é o “novo normal” do setor, ou seja, comunicar muito bem a todos quais protocolos sanitários, sociais e preventivos foram implantados na empresa.

O que temos feito até aqui é gerenciar a crise, lidando com o fechamento de hotéis, negociando com o governo, além de encontrar formas de amenizar o impacto de desligamentos, suspensão de contratos, orientação à categoria etc. Agora, estamos nos preparando para retomada e, para isso, voltamos os olhos ao que está sendo feito na China e na Europa e já sabemos que não haverá uma volta ao que era antes do coronavírus. Será estabelecido esse “novo normal” com necessidade de entrega de produtos e experiências diferentes, com COVID-free. Isso já é certo! O problema será como equilibrar a equação de novas despesas, com consumidores pouco dispostos a aceitar custos elevados, uma vez que tanto empresas como clientes estão com suas finanças comprometidas.

Em relação aos protocolos sanitários e sociais, o trade de turismo, através das principais entidades civis e sindicais, e o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Turismo do Estado – SETUR, lançará o “Plano São Paulo”. Trata-se de um guia dirigido a cada segmento específico (Bares e Restaurantes – Hotéis e Meios de Hospedagem – Turismo e Viagens), contendo novas práticas mínimas que passarão a ser obrigatórias a todas as empresas, e outras medidas complementares, mais sofisticadas, ficarão a critério de cada empresa. A fiscalização ficará por conta das vigilâncias sanitárias e das entidades setoriais, que farão uma autorregulamentação, certificando as empresas.

Já em relação ao mercado, aponto algumas tendências que o “novo consumidor” prestará atenção e outras medidas que serão percebidas positivamente:

  1. i) Limpeza de ambientes, materiais e superfícies; redução ou eliminação de tecidos naturais e carpetes; substituição ou retirada de itens de decoração, tendo a governança papel fundamental nos novos protocolos de sanitização; uso correto de EPIs e treinamento do staff.
  2. ii) Readequação dos espaços nos restaurantes, com maior distância entre mesas; uso de divisórias de acrílico; cardápio digital; modificação na forma de atendimento do self-service; ampliação e melhoria do delivery e take away.

iii) Opções de espaços ao ar livre para atividades físicas, lazer e refeições terão preferência.

  1. iv) Recursos tecnológicos digitais para informações, check-in, check-out e tudo que possa evitar contato físico ou proximidade, como sistemas de pagamento por aproximação e totens, por exemplo.
  2. v) UHs hoteleiras com mais metragem, familiares ou conjugados, além de opcionais de cozinha com frigobar grande e micro-ondas para preparo de alimentos deverão ter mais demanda.

*Edson Pinto é Presidente do SinHoRes Osasco – Alphaville e Região (Sindicato Empresarial de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares) e Vice-presidente de Relações Governamentais da FHORESP – Federação de Hotéis, Restaurantes Bares e Similares do Estado de São Paulo.

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